Laíse Mesquita cresceu em Fortaleza e estudou no Colégio Militar CMF — disciplina, hierarquia, estrutura desde cedo. Escolheu a Marinha Mercante: formação na EFOMM, cadete, piloto de navio. O trabalho era embarcada — 12 horas de turno, escala 1x1 (um mês no mar, um mês em terra). Vida traçada. Carreira técnica. Futuro sólido.
Mas ela tinha um sonho secreto que não combinava com o navio: Nova York. Gossip Girl, Manhattan, a vida grande. O Chile nunca havia entrado no roteiro — até que em um chat da UOL (sim, o chat dos anos 2000), um americano disse a ela: "Vai ao Chile. Vai te apaixonar." Foi o suficiente.
Antes de embarcar para o Chile, a labirintite mudou o roteiro. O labirinto do ouvido comprometido — vomitando 6 vezes por dia, com o dilema do Dramin que causava sonolência e impossibilitava o trabalho embarcado. Navegar se tornou impossível. E com o dinheiro da formatura — R$25.000 — ela não voltou ao Brasil. Foi pro Chile.
Já no avião, sobrevoando a Cordilheira dos Andes com a música "Me Rehuso" no fone de ouvido, ela olhou pela janela, viu a neve e as montanhas e sentiu que tinha chegado em algum lugar que importava. Santiago se revelou como SanHattan — a Nova York com Cordilheira que ela sempre sonhou sem saber que existia.
No Valle Nevado, a mais de 3.000m de altitude, neve pela primeira vez na vida, Laíse caiu na neve tentando subir. Um guia brasileiro riu da queda e depois ajudou — um homem comum, fazendo algo extraordinário: vivendo no Chile, do turismo, falando português com os turistas. A cena ficou gravada. O ingresso para o Valle Nevado ela havia comprado do computador do hostel, sem avisar os pais.
Na descida da montanha, a decisão já estava tomada: ela voltaria para morar no Chile. Sem emprego. Sem plano concreto. Apenas a certeza absoluta de que ia dar certo.
Laíse voltou ao Chile com R$1.500 no bolso. Sem emprego, sem plano B. Usou o WorldPackers para entrar no Kombi Hostel de Santiago como voluntária — trocava trabalho por uma cama. O dono era um alemão chamado German. Ela acordava cedo, fazia café, limpava quartos, atendia hóspedes. Ia aprendendo o mercado de turismo de dentro para fora.
O próximo passo foi uma lenda: ela queria trabalhar em uma agência de passeios, mas não havia vaga. Foi até lá mesmo assim. Na entrada, disse ao recepcionista que tinha "uma entrevista marcada com a Vivianne". Vivianne era um nome inventado. O recepcionista ligou. Vivianne não sabia de nada — mas desceu para ver quem era essa brasileira confiante. Laíse falou com tanta convicção sobre o que poderia fazer que saiu empregada. Sem fixo. Comissão por passeio fechado. Sem garantias. Mas dentro.
Por 4 anos, Laíse trabalhou 12 horas por dia. Depois da agência, a calçada da Plaza de Armas de Santiago — gritando em português para turistas que desciam dos ônibus, fechando passeios na raça. Cada comissão era uma aula de vendas. Cada cliente era um treino.
No Chile Lindo Hostel, ela conheceu Nathalia — uma brasileira com um canal no YouTube sobre viagens. Não era famosa. Mas era consistente, e conseguia vender passeios a partir do canal. Aquela conversa plantou a semente. Em 2018, Laíse fez o primeiro vídeo: "Lugares turísticos de Santiago do Chile". Simples. Direto. Ela mesma filmando com o que tinha.
Em agosto de 2018, ela decidiu: um vídeo por dia. Todos os dias. Sem falta. A audiência explodiu. Os pedidos de passeio começaram a chegar diretamente — sem precisar da Plaza, sem precisar da agência. A comunidade WeLovers começou a se formar: pessoas que confiavam nela, que escolhiam o Chile porque ela havia escolhido o Chile.
E então vieram as traições. O ex-namorado e o melhor amigo — com quem vendia passeios em parceria — cortaram sua comissão de 50% para 20% sem aviso, sem conversa, sem negociação. Ela confrontou. A resposta foi dura: "Os clientes são da empresa!" Ela saiu na hora. E levou 99% dos clientes com ela — porque os clientes não eram da empresa. Eram dela. Da confiança construída vídeo a vídeo.
Novembro de 2019. Laíse tinha 23 anos. Ela não esperou ter capital. Não esperou ter experiência de gestão. Simplesmente foi. Reuniu sua equipe inicial, assinou o contrato do primeiro escritório (investimento de R$75.000), comprou um carro para a operação (R$88.000) e fundou oficialmente a We Love Chile.
O nome não era aleatório. We Love Chile carregava a essência: amor pelo país, pelas pessoas, pela aventura. Era uma declaração de intenção, não só uma marca comercial.
A empresa foi aberta. Os contratos foram assinados. Os planos estavam feitos. E então — três dias depois — a OMS declarou pandemia global. As fronteiras do Chile fecharam. O turismo mundial parou instantaneamente.
Laíse havia acabado de comprometer praticamente todo o seu capital. Tinha funcionários. Tinha aluguel. E zero receita.
Fronteiras fechadas. Zero faturamento. A equipe inteira sem ter o que fazer. Laíse, sozinha no Chile, longe da família, com capital comprometido. Duas opções: voltar ao Brasil ou ficar e aguentar. Ela ficou.
E então as "amigas" apareceram — não para ajudar, mas para destruir. Em um grupo de WhatsApp que ela jamais deveria ter descoberto, as próprias amigas tramaram: uma delas saiu com o carro da empresa — os R$88.000 investidos — e simplesmente foi embora. Usou o RUT (equivalente ao CPF chileno) de Laíse sem autorização. O carro nunca foi devolvido. O dinheiro, nunca recuperado. As mesmas que se recusaram a ajudar com aluguel quando ela pediu.
A decisão mais difícil e mais importante: não demitiu ninguém. Usou o dinheiro dos pais — economias da família inteira — para pagar salários mês após mês. Sobreviveu de miojo. Enquanto todos voltavam ao Brasil, ela ficava. Enquanto outros empresários fechavam, ela resistia.
Com zero turismo possível, tentou alternativas. Criou uma pet shop online chamada We Love Dogs. Fez cursos de marketing digital à distância. Acordava às 4 da manhã, tomava um 5-Hour-Energy e ficava até as 3h da manhã construindo o primeiro site próprio da WLC — com a playlist "Ride It" no repeat, sozinha, noite após noite, com fé.
E então nasceu o Voucher do Futuro: os WeLovers — a comunidade real, pessoas que a seguiam no YouTube com afeto genuíno — poderiam comprar passeios com antecedência, a preços especiais, para usar quando as fronteiras reabrissem. A resposta foi extraordinária. A comunidade que ela havia cultivado com conteúdo genuíno e cuidado real salvou a empresa que tanto amava. Porque quando precisou, eles estavam lá.
Enquanto o mundo parava, a WLC se organizava por dentro. Nas madrugadas com o 5-Hour-Energy, construindo o site, estudando liderança e marketing de forma obsessiva, Laíse teve o insight divino: cada área da empresa precisava de um dono. Não um funcionário — um líder com autonomia real e sentimento de dono. Quatro departamentos: comercial, logística, guias e financeiro. A WLC precisava de pilares. E se 730 dias não foram suficientes para que a We Love fosse apenas um sonho, foi porque quatro pessoas decidiram ficar e construir junto.
Com a reabertura das fronteiras do Chile, a represa quebrou. Tudo que havia sido represado por 730 dias — a demanda, o desejo, o sonho dos WeLovers de finalmente ir ao Chile — veio de uma vez.
A WLC estava pronta. Enquanto concorrentes haviam fechado ou encolhido na pandemia, Laíse tinha mantido a equipe, estruturado os processos e aprofundado a conexão com a comunidade. Quando o mercado reabriu, ela tinha a melhor equipe, a maior audiência e a reputação mais sólida.
Sede no WeWork em Santiago — coworking compartilhado, a primeira casa oficial. Equipe em expansão. A empresa que nasceu com R$1.500 tornou-se a maior agência de turismo receptivo para brasileiros no Chile. Também foram lançadas novas verticais: We Love Store (produtos personalizados WLC) e We Love Wines (vinhos artesanais), além da primeira filial no Deserto do Atacama.
2023 foi o ano da consolidação e da ousadia. A WLC saiu do WeWork e se instalou em escritório próprio em Santiago — não mais co-working, mas um espaço que era genuinamente da empresa, com a identidade visual da marca em cada detalhe.
A estrutura foi expandida para um modelo de CASA: um escritório que parecia uma casa de verdade, criando laços mais genuínos entre os colaboradores e transmitindo essa frequência de família para os WeLovers que visitavam pessoalmente.
Triplicou os resultados da Era 1.0. Dias com 1.000 brasileiros em passeio num único dia — assustador e glorioso ao mesmo tempo. A operação estava pronta: as vans, os motoristas, os guias. Cada passeio entregue com excelência.
Nasceram novas verticais: We Love Transfer (transfer aeroporto 24h), e We Love Hostel (hospedagem própria em Santiago). A WLC deixava de ser apenas uma agência de passeios.
Também foi o ano do lançamento do Aplicativo We Love Chile — a primeira agência de turismo do Chile a ter um app próprio. Uma revolução silenciosa que antecipou a concorrência em anos.
O marco mais simbólico: a WLC se tornou a empresa residente no Google Campus de Santiago — um espaço concedido apenas para as empresas mais inovadoras e promissoras da América do Sul. Uma conquista que validava publicamente o que os WeLovers já sabiam há anos.
A frota foi renovada e expandida com vans Mercedes-Benz próprias, seladas com a identidade da WLC. O setor de suporte ao cliente — o primeiro de uma agência de turismo no Chile — foi formalizado com equipe dedicada.
Lançamento da We Love Peru: expansão do modelo WLC para Cusco, operando via operadora local — o primeiro passo da internacionalização do ecossistema.
A holding passou a incluir: We Love Chile + We Love Rental + We Love Transfer + We Love Wines + We Love Hostel + We Love Store + We Love Peru. Buenos Aires e Patagônia em abertura.
A marca dos 500.000 WeLovers atendidos foi ultrapassada — a maior operadora de turismo para brasileiros já criada. Do R$1.500 de 2018 a meio milhão de sonhos realizados.
85 colaboradores diretos e 160 indiretos distribuídos entre Chile, Brasil e Peru. Time remoto em mais de 20 cidades brasileiras — Fortaleza com 14 colaboradores é o maior hub fora do Chile.
A We Love Buenos Aires e a We Love Patagônia em processo de abertura — destinos que ampliarão o ecossistema para além do Chile, com We Love Transfer se preparando para entrar em operação.
O Instagram da WLC ultrapassou audiências que concorrentes levaram décadas para construir. O YouTube de Laíse Mesquita, o app, o hostel, os vinhos, as roupas, os transfers — todos os fios de uma mesma tapeçaria.
Uma piloto de navio mercante, forçada a parar por uma labirintite, com R$1.500 no bolso e um canal no YouTube — construiu, em menos de 8 anos, o maior império de turismo da América do Sul para brasileiros.
Se tem algo que as pessoas devem notar em tudo que fazemos, é que somos autênticos em absolutamente tudo.
Não andamos aplicando fórmulas prontas do mercado e muito menos copiando coisas da concorrência. Simplesmente não precisamos de "reproduções". Até podemos nos inspirar por coisas que vemos (quase sempre de ramos diferentes do turismo), mas a partir daquelas ideias, trabalhamos em melhorá-las em 300%, adaptamos para a realidade dos nossos clientes e criamos algo novo e totalmente original.
Liberdade é menos sobre bater asas e mais sobre decidir vôos.
Para que os clientes tenham esse poder de decisão, acreditamos firmemente que o planejamento de viagem e a criação detalhada do roteiro com um profissional te dá os meios para isso.
Viajar sem planejar converte os clientes em "perdidos" na cidade, perdendo tempo e dinheiro — e isso não tem nada a ver com liberdade. Tem a ver com desperdício.
Não entregamos absolutamente NADA mediano. Sim, o feito é melhor que o perfeito. Mas isso não significa que não vamos lutar pela perfeição — em cada peça de conteúdo produzida e em cada movimento que fazemos no digital.
Queremos ser reconhecidos pela excelência no trabalho realizado. Queremos ser referência quando falamos de marketing — e não só no ramo do turismo.
Não fazemos as coisas como todas as outras agências de turismo. E estamos longe de ser a agência mais tradicional do mercado. Faz parte da nossa rotina buscar por pontos de diferenciação e descobrir cada vez mais formas de nos destacarmos em relação à concorrência nacional e global.
A inovação corre solta no nosso DNA. Sempre lançamos novidades antes que qualquer outra agência: pioneiros no estilo de vídeo individual por ponto turístico no YouTube, no Instagram e TikTok; primeira agência com setor de pós-venda; primeira a expandir e criar novas empresas (We Love Store, Wines, Rental, Hostel); lançamos o primeiro curso de planejamento de viagem ao Chile; lançamos um aplicativo; e fomos a primeira agência a inovar em campanhas de lançamentos temáticas.
Queremos que nossos clientes se sintam parte da nossa família. Para isso, fizemos vários movimentos estratégicos:
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| Métrica | 2023 | 2024 | 2025 (proj.) | Tendência |
|---|---|---|---|---|
| Turistas BR total | 485K | 787K | 681K | 📊 +62% (2023→24), -13% (24→25) |
| Brasileiros na neve | ~145K | 265K | ~270K | 📈 +83% (2023→24), estável |
| Neve como motivação | 16% | 18% | 19% | 📈 Crescimento contínuo |
| Inspirados por redes sociais | 72% | 75% | 78% | 📈 Crescimento contínuo |
| Am. Latina (viagens intl BR) | ~52% | ~55% | ~57% | 📈 Crescimento contínuo |
| Gasto médio/dia (US$) | $95-100 | $103-112 | $105-115 | 📈 Poder de compra crescente |